Após a destruição e extermínio da maioria das aldeias e dos povos indígenas, com a chegada dos colonizadores europeus (portugueses), houve uma lenta reabilitação desses povos. Mas a partir daí eles (os índios) deixaram de serem povos selvagens da floresta e passaram a se reorganizar e a serem cidadãos brasileiros e viverem em sua diversidade cultural, mas sem terem a mesma autonomia plena que possuíam anteriormente à colonização.
Os indígenas, assim como outros povos, sofreram e, ainda sofrem dois tipos de violência: a violência bruta e a violência simbólica. Foi a partir da colonização portuguesa que surgiu a Escola Indígena, através da violência e da imposição da pedagogia jesuítica.
A perda da identidade étnica dos indígenas foi o que pior lhes aconteceu. Pois, os invasores, sempre utilizaram da violência como argumento que justificasse sua invasão. A miscigenação de índios, europeus e escravos africanos é que originou nossa nação: o Brasil e seus diferentes povos miscigenados. O Estado Brasileiro não via os índios como cidadãos brasileiros, pois eles possuíam sua própria cultura e uma organização social e política diferenciada. Para os missionários jesuítas, cristianizar/catequizar os índios era o mesmo que ensiná-los a viverem civilizadamente.
Em nossa Constituição Brasileira (1988), os índios são considerados como “povos” e não como nações. A República e o Estatuto do Índio, criados em 1973, julgavam os índios órfãos. A função da FUNAI (Fundação Nacional de Amparo e Proteção ao Índio) surge com o intuito e obrigação de promover a integração do índio à comunhão nacional, ou seja, torná-lo não índio, e sim, um cidadão brasileiro.
A Constituição, veio por garantir que os índios deixassem de ser “órfãos” ou “incapazes” e passassem a ser “diferentes”.
A educação indígena estava, até meados dos anos 70, baseada na educação pós-colonial, passada essa década é que começou a se pensar em programas para a escola indígena, com a finalidade de reforma significativa em sua educação, contra o colonialismo cultural dominante. Ainda hoje se encontram escolas indígenas que ensinam somente o alfabeto na língua portuguesa e não na língua nativa através da justificativa de que a alfabetização na língua nativa destruiria a oralidade da mesma. Em contrapartida, os índios utilizam somente o português quando precisam se relacionar nas cidades, ou seja, fora de suas aldeias. Pensando na economia do comércio realizado pelos indígenas, a matemática era aplicada somente aos cálculos necessários para tal. Mas existem projetos missionários que procuram alfabetizar os índios somente na língua nativa, em seguida na língua portuguesa.
A mudança de governo também influenciava a educação indígena. ONG’s (Organizações não Governamentais) e a FUNAI, sempre estiveram interligadas em prol à educação indígena. Várias mudanças ocorreram no modo de educar e em relação ao que transmitir de conhecimentos aos índios, diferente de suas culturas. Mas, sabe-se que todas essas tentativas estiveram voltadas aos interesses eurocentristas, com os mesmos modelos arcaicos jesuíticos do período pós-colonial.
Hoje, uma das melhores maneiras de se educar os índios é através de educadores/monitores indígenas bilíngües. A partir dos anos 90, as diferentes concepções em relação à educação indígena passam a ser analisadas mais a fundo, por antropólogos e historiadores, que buscaram mapear a evolução da educação escolar indígena no Brasil. Mudanças socioculturais contínuas margeiam esses “povos indígenas” ao longo de séculos.
Segundo Kahn (1994), a Educação Indígena é algo que deve ser conquistado, já a Educação para o índio, é algo que de ser evitado. Educação Indígena, na verdade, é algo que não se enquadra no conceito de “Escola”, sendo que a "Escola” não foi criação da cultura indígena, mas sim dos “brancos”, desde a colonização.
Mesmo existindo ações educativas no Brasil, voltadas ao modelo libertador, a Educação Indígena não está desvinculada do modelo da escola formal, hierarquizada e individualista de nossa sociedade.
Nos últimos 30 anos, é que se iniciou a problemática e tomada de consciência dessas transformações socioculturais entre os indígenas e dos não indígenas (“homens brancos”). Atualmente, os indígenas sofrem e, ao mesmo tempo, buscaram a revolução tecnológica. As escolas indígenas estão aos poucos incorporando a tecnologia aos seus processos educacionais.
As escolas indígenas possuem atualmente a mesma estrutura curricular das escolas normais de nossa sociedade, que possuem apenas algumas adaptações à sua cultura (indígena).
Cabe aos professores indígenas traçarem as propostas curriculares atuais de suas escolas e de sua educação, em respeito à sociodiversidade.
Esse texto só veio complementar e embasar teoricamente os conceitos que eu possuía em relação à educação indígena. As culturas indígenas são muito diversificadas entre si e, as escolas indígenas foram instituídas pelo colonialismo, o que desconfigurou permanentemente a cultura indígena e trouxe mudanças irreversíveis a esses povos.
O Educador da Escola Indígena, sendo ou não índio, deve ter conhecimento dos conceitos e do processo educativo indígena desde seu surgimento até os dias atuais, além de respeitar a sociodiversidade existente entre a cultura em questão e as demais. O currículo precisa visar ambas as culturas e o modo de vida, tanto cultural, como econômico de cada aldeia indígena, seguindo sempre as diretrizes nacionais da educação escolar indígena. Por ser uma escola diferenciada, seu currículo e objetivos também são e devem ser cumpridos, respeitados e adaptados do melhor modo possível, onde a língua materna é o principal meio cultural a ser preservado, além dos costumes de cada tribo indígena.
REFERÊNCIA:
DOMINGUES, S. A. Sujeitos e saberes da educação indígena. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. EDUCAÇÃO PARA POPULAÇÕES ESPECÍFICAS. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.3, unidade 3. p. 64-97.
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