CURSO: CURSO EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA – UNESP – SECAD - UAB
PROF(A). RESPONSÁVEL: Elisandra A. Maranhe
MÓDULO 3 - UNIDADE 1: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS”
AUTORES: Antônio Francisco Marques e Eliana Marques Zanata
A alfabetização faz parte da educação básica de todo e qualquer indivíduo que deseja dar continuidade a diferentes aprendizagens, conhecimentos e competências.
O processo educativo está diretamente ligado ao processo do desenvolvimento humano.
No Brasil, somente em 1945 é que foi regulamentado a Educação de Adultos, a Educação de Jovens em Ensino Primário Fundamental de 2 anos, havia sido criada a alguns anos anteriores, assim como também o Ensino Primário Fundamental para crianças de 7 a 12 anos.
Movimentos sociais em busca de justiça, igualdade e educação começaram a surgir a partir da década de 1930, e buscavam transformações nos âmbitos sociais, econômicos, culturais e políticos do país. Década esta marcada pelas instalações industriais no país.
O resultado das pressões dos movimentos sociais, levaram o governo, no ano de 1964, a darem o Golpe de Estado, que, com o apoio do imperialismo norte-americano, para evitarem que a elite perdesse o seu poder político. Surge o Programa de Alfabetização do Povo e o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) em 1969.
Essa redemocratização do país acabou por criar novos movimentos educacionais como o MOVA (Movimento da Alfabetização - 1985), o PAS (Programa de Alfabetização Solidária - 1996) e o Programa Brasil Alfabetizado (2003), que tinham como finalidade erradicar o analfabetismo.
A escolarização no Brasil está presente desde o início da colonização, como a catequização indígena, já os escravos nunca tiveram esse privilégio e lutam por esse direito até os dias atuais.
No ano de 1997, o governo brasileiro lança a Proposta de Educação de Jovens e Adultos. A nova proposta concepção escolar, coloca os educandos como sendo os principais sujeitos do processo educativo, o que para a maioria dos adultos é tido com certa resistência, pois não se assemelha ao tipo de educação que os mesmos conhecem ou idealizam, que é o modelo de escola tradicional.
A maioria dos jovens e adultos, que buscam por essa educação, são marginalizados e, sofrem diversos preconceitos por não serem alfabetizados, ou, até mesmo, por estarem buscando essa alfabetização tardia.
Os avanços tecnológicos e científicos tiveram nos últimos 50 anos um avanço e impacto acelerados em nossas vidas e sociedade em geral, o que trouxe benefícios e malefícios à humanidade em geral.
Alguns aspectos relevantes de nossa atual educação são os analfabetos funcionais (que possuem, também, menos de 4 anos de escolaridade) que estamos formando, são aqueles alunos que “passam” pela escola e, que sabem ler, ou seja, são alfabetizados, mas não interpretam ou raciocinam ou escrevem bem sobre o que leram. Outros são os analfabetos digitais, aqueles que não conhecem a tecnologia dos computadores, internet...
O desemprego dos adultos entre 40 e 50 anos é o principal fator que os levam a perderem o sentido da vida, assim também desaparece o interesse pelo aprender. Hábitos saudáveis garantem uma velhice com saúde e evitam muitas doenças crônicas, que é muito comum a partir do início da 3ª idade ou da idade adulta média (40 aos 65 anos).
Com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9394), criada em 1996, o EJA (Educação de Jovens e Adultos) passa a ser garantido por lei.
As propostas educacionais do EJA devem partir dos conhecimentos prévios desses adultos, ou seja, dos conhecimentos e habilidades que estes possuam, de suas experiências profissionais, culturais e sociais. A partir daí, devemos contextualizar o ensino dos conteúdos as aprendizagens dos alunos, para serem estas aprendizagens, significativas, que os ajudem as melhores viver em sociedade e que modifiquem suas vidas.
MÓDULO 3 - UNIDADE 2: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO NO CAMPO”
AUTORES: Antônio Francisco Marques e Eliana Marques Zanata
Uma visão minimalista do próprio governo brasileiro, criada através da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996), criou e garante até hoje, somente a Educação Básica a essa população rural (campo) e não menciona em momento algum o prosseguimento dos estudos em nível superior.
A Educação do Campo exige que haja um currículo que atenda as necessidades gerais e específicas de cada região do nosso país, Brasil, de acordo com cada cultura e cada população. Currículo este que deve ser flexível ao tipo de economia que a população desenvolve, baseando-se também nos princípios da diversidade social.
A população rural vem diminuindo gradativamente ao longo dos anos (êxodo rural), mas ainda existe e sempre existirá um número considerável desta população. Cabe ressaltar que esta população apresenta uma série de desvantagens à população rural, como o acesso aos recursos financeiros, ao acesso à escolarização, à saúde, aos direitos sociais, ao lazer e à cultura.
A Educação do Campo abrange as populações da zona rural, como os pequenos agricultores, os sem-terra, os povos da floresta, pescadores, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, assalariados rurais jovens e adultos, os bóias-frias, meeiros entre outros. Esse é um dos motivos que levam a Educação do Campo a não ser uniforme e inflexível, pois abrange e deve suprir todas as especificidades de cada uma dessas diferentes comunidades.
Os grandes desafios da Educação do Campo são a falta de professores preparados, falta de estrutura física, falta de transporte, alimentação, materiais didáticos e também, a falta de contextualização sócio-cultural do currículo com a realidade vivida por essas populações. O calendário Escolar é um aspecto importante que deve ser analisado e estruturado de acordo com cada região e população rural que a Escola Rural atende, para que a educação e os conteúdos escolares não sejam prejudicados e nem prejudiquem os alunos dessas comunidades, de acordo com a época de colheita e de plantio de cada região, épocas em que as crianças necessitam auxiliar suas famílias.
Para haver uma melhoria nesses aspectos, deve-se buscar a valorização do conhecimento dessas comunidades para que o currículo seja adaptado de modo a garantir que tenham consciência crítica do mundo em que estão inseridos e de sua cidadania.
Para isto, é necessário garantir o direito à igualdade de condições de aprendizagem, garantir o direito ao respeito à diferença, para assim, essas comunidades poderem assumir sua identidade cultural e valorizarem-se, além de garantir seus direitos e cumprir os seus deveres de cidadãos.
Garantir esses direitos é fazer acontecer a verdadeira Pedagogia da Alternância, onde a formação agrícola e suas atividades práticas estão relacionadas diretamente com a formação teórica geral da escola rural. Ainda se faz necessário o preparo para a vida dos alunos em sociedade, sendo produtiva, comunitária e associativa/cooperativa.
Somente essa Pedagogia da Alternância é capaz de promover e garantir a permanência das famílias e de seus filhos no campo, mas com o direito ao acesso de uma educação igual a dos centros urbanos.
Os principais pilares que regem a elaboração e o desenvolvimento do projeto político-pedagógico das escolas rurais (campo) são: o respeito às diferenças, a organização do calendário escolar (tempo escolar) e a organização do espaço escolar.
A Educação do Campo deve garantir a construção dos conhecimentos através da interdisciplinaridade, para que haja aprendizagens significativas e para que as aprendizagens possam ser integradas as relações sociais. Os conhecimentos que devem ser transmitidos aos alunos através da adaptação dos currículos, acabam sendo frutos da necessidade imposta pela vida social, na qual esses indivíduos estão diretamente envolvidos e que serão atuantes ou já se fazem atuantes economicamente nelas.
Há ainda aulas multisseriadas, onde devem ser favorecidos os trabalhos por agrupamentos, mas garantindo sempre a participação de todos no processo de ensino-aprendizagem e também os trabalhos individuais, a busca pela igualdade dos níveis de desenvolvimento e das aprendizagens significativas.
A Educação do Campo deve sempre priorizar a preservação das raízes rurais e o aprendizados dos alunos, além do acesso aos conhecimentos socialmente valorizados por essas comunidades.
MÓDULO 3 - UNIDADE 3: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO INDÍGENA”
AUTOR: Sérgio Augusto Domingues
Após a destruição e extermínio da maioria das aldeias e dos povos indígenas com a chegada dos colonizadores europeus (portugueses), houve uma lenta reabilitação desses povos. Mas a partir daí eles (os índios) deixaram de serem povos selvagens da floresta e passaram a se reorganizar e a serem cidadãos brasileiros e viverem em sua diversidade cultural, mas sem terem a mesma autonomia plena que possuíam anteriormente à colonização.
Os indígenas, assim como outros povos, sofreram e, ainda sofrem dois tipos de violência: a violência bruta e a violência simbólica. Foi a partir daí que surgiu a escola indígena, através dessa violência e da imposição da pedagogia jesuítica.
A perda da identidade étnica dos indígenas foi o que pior lhes aconteceu. Pois os invasores sempre utilizaram da violência como argumento que justificasse sua invasão. O que originou nossa nação: o Brasil e seus povos miscigenados. O Estado Brasileiro não vê os índios como cidadãos brasileiros, pois eles possuem sua própria cultura e uma organização social e política diferenciada. Para os missionários jesuítas, cristianizar/catequizar os índios era o mesmo que ensiná-los a viverem civilizadamente.
Em nossa Constituição brasileira, os índios são considerados como “povos” e não como nações. A República e o Estatuto do Índio, criado em 1973, julgam os índios órfãos. A função da FUNAI (Fundação Nacional de Amparo e Proteção ao Índio) tem por obrigação promover a integração do índio à comunhão nacional, ou seja, torná-lo não índio, e sim, um cidadão brasileiro.
A Constituição de 1988, veio por garantir que os índios deixassem de ser “órfãos” ou “incapazes” e passassem a ser “diferentes”.
A educação indígena estava, até meados dos anos 70, baseada na educação pós-colonial, após essa década é que começou a se pensar em programas para a escola indígena com a finalidade de reforma significativa em sua educação, contra o colonialismo cultural dominante. Ainda hoje se encontram escolas indígenas que ensinam somente o alfabeto na língua portuguesa e não na língua nativa através da justificativa de que a alfabetização na língua nativa destruiria a oralidade da mesma. Em contrapartida, os índios utilizam somente o português quando precisam se relacionar nas cidades, ou seja, fora de suas aldeias. Pensando na economia do comércio realizado pelos indígenas, a matemática era aplicada somente aos cálculos necessários para tal. Mas existem projetos missionários que procuram alfabetizar os índios somente na língua nativa, em seguida na língua portuguesa.
A mudança de governo também influenciava a educação indígena. ONG’s e a FUNAI, sempre estiveram interligadas pela educação indígena. Várias mudanças ocorreram no modo de educar e o que transmitir de conhecimento aos índios, diferente de suas culturas, mas hoje, sabe-se que todas essas tentativas estiveram voltadas aos interesses eurocentristas, com os mesmos modelos arcaicos jesuíticos do período pós-colonial.
Hoje, uma das melhores maneiras de se educar os índios é através de educadores/monitores indígenas bilíngües. A partir dos anos 90, as diferentes concepções em relação à educação indígena passam a ser analisadas mais a fundo, por antropólogos e historiadores, que buscaram mapear a evolução da educação escolar indígena no Brasil. Mudanças socioculturais contínuas margeiam esses “povos indígenas” ao longo de séculos.
Segundo Kahn (1994), a Educação Indígena é algo que deve ser conquistado, já a Educação para o índio é algo que de ser evitado. Educação Indígena, na verdade, é algo que não se enquadra no conceito de “Escola”, sendo que a "Escola” não foi criação da cultura indígena. Mesmo existindo ações educativas no Brasil, voltadas ao modelo libertador, não está desvinculada ao modelo escola formal, hierarquizado e individualista de nossa sociedade.
Nos últimos 30 anos, é que se iniciou a problemática e tomada de consciência dessas transformações socioculturais entre os indígenas e dos não indígenas (“homens brancos”). Atualmente, os indígenas sofreram e, ao mesmo tempo, buscaram a revolução tecnológica. As escolas indígenas estão aos poucos incorporando a tecnologia aos seus processos educacionais.
As escolas indígenas possuem atualmente a mesma estrutura curricular das escolas normais de nossa sociedade, possuem apenas algumas adaptações à cultura indígena. Cabe aos professores indígenas traçarem as propostas curriculares atuais de suas escolas, em respeito à sociodiversidade.
MÓDULO 3 - UNIDADE 4: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO QUILOMBOLA”
AUTOR: Dagoberto José Fonseca.
Um quilombo era um local de refúgio dos escravos no Brasil, em sua maioria afrodescendentes (negros e mestiços), havendo minorias indígenas e brancas. O mais famoso na História do Brasil foi o de Palmares.
A palavra "quilombo" tem origem nos termos "kilombo" (Quimbundo) ou "ochilombo" (Umbundo), presente também em outras línguas faladas ainda hoje por diversos povos Bantus que habitam a região de Angola, na África Ocidental. Originalmente, designava apenas um lugar de pouso utilizado por populações nômades ou em deslocamento; posteriormente passou a designar também as paragens e acampamentos das caravanas que faziam o comércio de cera, escravos e outros itens cobiçados pelos colonizadores. Foi no Brasil que o termo "quilombo" ganhou o sentido de comunidades autônomas de escravos fugitivos. Havia escravidão, porém, em alguns quilombos.
Tradicionalmente, os quilombos eram das regiões de grande concentração de escravos, afastados dos centros urbanos e em locais de difícil acesso. Embrenhados nas matas, selvas ou montanhas, esses núcleos se transformaram em aldeias, dedicando-se à economia de subsistência e às vezes ao comércio, alguns tendo mesmo prosperado. Segundo os registros existem quilombos nos seguintes estados brasileiros: Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os seus habitantes, denominados de "quilombolas", eram originalmente agrupamentos de ex–escravos fugidos de seus senhores desde os primeiros tempos do período colonial. Em algumas épocas e locais, tentaram reproduzir a organização social africana, inclusive com a escolha de reis tribais.
Embora a escravidão no Brasil tenha sido oficialmente abolida em 13 de maio de 1888, alguns desses agrupamentos chegaram aos nossos dias, graças ao seu isolamento. Outros transformaram-se em localidades.
A maioria dos quilombos tinha existência efêmera, pois uma vez descobertos, a sua repressão era marcada pela violência por parte dos senhores de terras e de escravos, com o duplo fim de se reapossar dos elementos fugitivos e de punir exemplarmente alguns indivíduos, visando atemorizar os demais cativos.
Os quilombolas, diferentemente dos índios, conseguiram nos dias atuais, recriar o mundo antigo deles, através de suas bases culturais africanas, com uma mistura de indígenas e europeus, políticas, éticas e religiosas, e organizaram seus valores, transmitindo-os às novas gerações, através da educação formal, como auxílio do Estado.
O termo quilombo sofreu mudanças em seu significado e hoje, mesmo tendo seu conteúdo histórico, possui características peculiares e atuais da cultura africana.
Atualmente, no Brasil são catalogadas, aproximadamente, mais de 5 mil áreas quilombolas, mas nem todas possuem reconhecimento oficial e assistência em relação aos seus direitos básicos de cidadão, como: saúde, educação. Sendo esses direitos, uma obrigação do Estado em relação a toda e qualquer população de nossa República Federativa.
A educação dos quilombolas existe de modo não formal, ou seja, transmitida através dos mais velhos, oralmente, aos mais novos. Eles transmitem e orientam as crianças e adolescentes a respeito da sociedade em que eles estão inseridos, de sua cultura e história, sobre política, economia e religião. Além de valores morais e étnicos.
Esse tipo de educação é coletiva/comunitária e, é através da prática do dia a dia dos quilombos que elas são transmitidas.
A educação formal é transmitida de acordo com a cultura dos mesmo e tem por objetivo, além da transmissão de novos conhecimentos, o desenvolvimento sustentável dessas comunidades.
Somente as séries iniciais da Educação Fundamental existem nas comunidades quilombolas, sendo difícil o acesso dessas crianças às escolas nas áreas urbanas.
A luta dos negros pela liberdade e igualdade, continuou após e Proclamação da República. A própria sociedade brasileira assume-se discriminatória e racista.
Os docentes que forem trabalhar com a educação quilombola devem, primeiramente, ouvir, procurar conhecer, através das pessoas moradoras dos quilombos, saber de sua realidade social, política e econômica, posteriormente devem elaborar seu material didático e sua proposta político-pedagógica.
O fator histórico-cultural das sociedades quilombolas é de extrema importância em relação aos processos sociais de ensino-aprendizagem, devendo ser significativa, onde a teoria e a prática devem caminhar juntas.
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