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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fundamentos para a Educação na Diversidade - Introdução Conceitual

“EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PRÁTICA EDUCACIONAL”
AUTORAS: Ana Maria Lombardi Daibém e Jandira Liria Biscalquini Talamoni

            O texto faz uma relação entre o ser humano e suas relações com o mundo e com a sociedade, o que acaba por tornar o ser humano em um ser social, transformador de seu ambiente e transmissor de sua cultura através da história. A Educação é o principal veículo e instrumento cultural que a sociedade possui para que, através da democracia, possa modificar e sistematizar a metodologia capaz de transmitir e fazer com que a sociedade se aproprie criticamente dos conhecimentos, atitudes e valores (sociais e políticos) em relação à Educação Ambiental.
            A Educação Ambiental engloba, além de Ecologia, o estudo de Ciências. A Pedagogia, que é uma ciência prática, só é desenvolvida por meio da compreensão da realidade, da teoria e da prática (dialética). Segundo Marx (apud Vazquez, 1997), somente a teoria é incapaz de transformar a realidade; o conhecimento surge indissociável à transformação prática da realidade social.
            Paulo Freire (1975) chama a atenção para a prática real, objetiva ou material dos seres humanos em relação ao Meio Ambiente, sendo a sociedade os responsáveis pela transformação do Mundo; pois o homem é um ser da ação e reflexão.
            “A Educação é um patrimônio imaterial da humanidade”, essa afirmação, trazida pelas autoras (Daibém e Talamoni, 2009), explica que, a partir do momento em que os seres humanos são seres que necessitam da natureza para sua sobrevivência em grupos e individualmente, tornam-se seres culturais e extraem dela produtos de forma ativa e intencional (relações de produção/trabalho material). Para obterem a produção material, os seres humanos precisam produzir idéia, valores, conceitos, hábitos, símbolos, atitudes e habilidades, que dão origem à produção do saber.
            A Educação então passa envolver três principais práticas: a prática produtiva (relação com a natureza), a prática política (relação social) e a prática simbolizadora (relação individual – consigo mesmo). São essas práticas que nos tornam seres humanos em atividade no mundo. A Educação abrange as representações mentais e os conhecimentos do mundo real (ciência), a valorização (ética) e a simbolização (arte). Esses são elementos da produção do saber, que passam a ser considerados, segundo Saviani (1992), como aprendizagens necessárias para a constituição de uma segunda natureza numa espécie (ser humano). A Educação Ambiental passa a necessitar da identificação desses elementos naturais e culturais da humanidade para serem aprendidos e postos em prática nas relações com os seres sociais e com o Meio Ambiente em que estão inseridos.
            Surge em meados dos anos 70 a preocupação com a Educação Ambiental (estritamente ecológica) em vários países e no ano de 1981, no Brasil, visando estimular a sociedade a participarem efetivamente da preservação ambiental, torna-se necessário, em todos os níveis de ensino e nas comunidades, a inclusão da Educação Ambiental (Lei Nacional do Meio Ambiente – 6938/81 – PNMA; Constituição Brasileira de 1988: Art. 225, Cap. VI e Art. 214, Cap. III).
            No processo Educacional Brasileiro, desde então, pode-se perceber que não houve por parte dos Educadores a prática necessária relacionada à Educação Ambiental nos ambientes escolares, sendo que a discussão sobre as causas e consequências dos problemas ambientais eram somente transmitidos parcialmente, não permitindo aos educandos terem uma visão ampla e integrada da complexidade do tema, nem ao menos desenvolverem reflexões críticas sobre tal.
            No Brasil, a falta de percepção da Educação Ambiental como processo educativo acabou por proporcionar práticas descontextualizadas e voltadas somente para a resolução de alguns dos problemas ambientais físicos. Somente a partir da década de 90 é que o Governo brasileiro (Ministério da Educação e Ministério do Meio Ambiente) produziu documentos e ações importantes para a Educação Ambiental. Lançaram os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s - 1997), que definiu como sendo tema transversal a serem discutidos e debatidos essas questões ambientais nas escolas.
            Em 1999, instituiu-se a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9795/99).
            Apesar de todas as Leis e ações governamentais, ainda é dificultosa a Educação Ambiental nas escolas, pois visam práticas descontextualizadas, focada somente no indivíduo e seu comportamento.
            Um grande número de professores apresenta dificuldades que os impossibilitam compreender e colocar em prática a Educação Ambiental que vise a formação de alunos críticos em relações a essas questões e suas soluções direta ou indireta.
             Alguns professores se mostram interessados e se empenham para tal, mas sua formação (inicial e contínua) não os possibilitou ter acesso aos conhecimentos realmente necessários para que eles pudessem transmiti-los aos alunos, através da perspectiva da transversalidade e da interdisciplinaridade, necessárias para a prática da Educação Ambiental. Muitas vezes o professor acaba por lançar mão de atividades pontuais, como as datas comemorativas, que não exige reflexão dos alunos nem mesmo conhecimentos extras do professor.
            A verdadeira Educação Ambiental seria aquela voltada para a prática efetiva de projetos transformadores da educação e do meio social, através do conhecimento sustentável e de sustentabilidade, que estimule reflexões, pensamentos críticos, e, tomada de ações práticas, transformadoras em relação ao meio ambiente e à sociedade.
            A prática da exploração e degradação do Meio Ambiente é uma relação existente a milhares de anos entre o ser humano e seu habitat, essa ética individualista e competitiva, acaba por caracterizar as sociedades humanas incapazes de reconhecerem a importância das interações entre os seres vivos e o meio ambiente. O ser humano passa a “esquecer” que faz parte desse ambiente e de suas relações. O que acarreta um certo ativismo imediatista em relação à minimização dos problemas ambientais e que não serão suficientes para a resolução dos mesmos, pois não há reflexão e nem ao menos mudanças de comportamentos.
            De acordo com Tilbury (1996), existe a necessidade de se construir novas teorias com suas atenções voltadas para os aspectos sociais, ambientais e para a sustentabilidade (EAS – Educação Ambiental para a Sustentabilidade).
            Sustentabilidade engloba conceitos ligados à justiça e liberdade, segundo Tozoni-Reis (2004), sendo observados em diversos contextos, como sociais, ecológicos e econômicos.
            Os professores devem estar atentos ao cotidiano da escola e da comunidade, para explorar e levantar questões ambientais a serem discutidas, refletidas e a partir daí, serem tomadas soluções, através da participação de todos que compõem o ambiente escolar e sua comunidade, através da criticidade e participação efetiva nesse contexto histórico e social das questões ambientais.
            Sustentabilidade está relacionada ao conceito ecológico de estabilidade dos ecossistemas (Herculano, 1992), associada a um equilíbrio dinâmico entre suas relações. Desenvolvimento Sustentável é o sinônimo do desenvolvimento de toda a sociedade em relação aos contextos sociais, assim como os econômicos e políticos. Isso inclui todos os cidadãos (diferentes classes sociais) as produções de bens de consumo (custo/benefício). Para isso é necessário a eliminação de desperdícios e irracionalidades do processo produtivo, através de ações de preservação e recuperação (ou ambos) dos recursos naturais não renováveis.
            Questões Ambientais devem ser analisadas em vista de vários quesitos, levando em conta todos os aspectos ambientais como as características físicas, químicas, biológicas, sociais, culturais, econômicas e políticas, suas causas e conseqüências no contexto histórico em que ocorre; para que possam ser ampliadas as reflexões e busca de soluções para tal questão ambiental.
            Cabe lembrar a importância da interdisciplinaridade, pois uma proposta educacional que valoriza o conhecimento integrado, nos trás uma visão ampla da problemática ambiental. A integração entre as diferentes sociedades e, suas experiências são relevantes para que, se desenvolvam novas ações e reflexões visando o enfrentamento dos desafios ambientais, buscando novos estilos de desenvolvimento para as sociedades humanas e para que ocorram transformações culturais e sociais necessárias.
            Após toda essa análise do contexto de degradação ambiental e em relação à ideia de sustentabilidade, observa-se a necessidade de novas estratégias educacionais para tornarmos os indivíduos aptos a participarem ativamente no processo de construção de uma nova sociedade, igualitária e justa, formando cidadãos críticos e profissionais, capazes de debater, refletir e participarem de tomada de decisões em relação às questões que envolvam problemas ambientais e suas comunidades e na prática social, sempre com visões coletivas e nunca individuais.
            Projetos de Educação Ambiental devem ser construídos pelos professores, alunos e demais integrantes da comunidade escolar que queiram participar. Deve ser realizada uma ação diagnóstica inicial, coletivamente, para levantar questões ambientais que incomodam a comunidade. Após a busca de esclarecimentos prévios, poderá ser necessário auxílio de profissionais que tenham tal competência, caso o professor e demais colegas de trabalho (corpo docente) não sejam habilitados a esclarecerem. Todas as etapas do projeto deverão ser planejadas e contar com a participação de todos os envolvidos. É muito importante contextualizar a problematização ambiental abordada no projeto, lembrando que aulas de campo são de grande relevância entre a teoria e a prática, visando a compreensão da realidade e entendimento do contexto, embasando discussões e reflexões em busca de soluções. A pesquisa de campo é elemento de grande importância no processo ensino-aprendizagem. Aí está uma atividade considerada com ação educativa ambiental.
           
REFERÊNCIA:

DAIBÉM, A. M. L.; TALAMONI, J. L. B. Educação Ambiental na Prática Educacional. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 1. p. 1-30.

“EDUCAÇÃO PARA AS QUESTÕES DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL”
AUTORES: Ana Cláudia Bortolozzi Maia e Ari Fernando Maia

            As questões de gênero nas escolas deveriam ser revistas nos dias atuais, pois não estão mais de acordo com os comportamentos e aceitações de nossa sociedade, que já não é mais a mesmo há tempos. Mesmo porque essas questões são de grande influência na formação da identidade de nossos educandos. Cabem a nós, educadores, enfrentarmos essas mudanças a fim de enfrentarmos a violência, preconceito e discriminação que surgem em decorrência dessas questões. A Educação deveria ser menos sexista, ou seja, não deveria reproduzir ações discriminantes e preconceituosas. Respeitar a individualidade e a sexualidade de cada indivíduo é aceitá-lo do medo como ele realmente é, com sua identidade individual, sem que haja discriminação em relação ao gênero e à opção sexual.
O conceito de gênero (masculino e feminino), assim como os valores morais, normas, ideais, noções e concepções, foram criadas de acordo com as relações sociais e têm sofrido mudanças gradativas no decorrer da história da humanidade. Educação sexista – tipo de educação que contém padrões rígidos de gênero, padrões determinantes para o controle dos padrões comportamentais sexuais – Família, escola e sociedade, aprendidas gradualmente.
De acordo com o dicionário Michaelis (HTTP://wwwmichaelis.uol.com.br), o conceito de gênero é definido como sendo um conjunto de características que definem seres iguais, por terem características comuns. Mas ao mesmo tempo, os gêneros, mesmo dentro de sua subdivisão podem ter muitíssimas características distintas. Diferenças estas construídas a partir das relações sociais. Esta socialização sexista trás ensinamentos distintos a cada sexo (estereótipos) que justificam os comportamentos de cada gênero (masculinidade e feminilidade) normas sociais, modelos (como pais e educadores) e diferentes tarefas domésticas, atitudes, comportamentos, lazer, esportes, brincadeiras...
Já sexualidade é algo que está diretamente ligado ao complexo processo de formação de cada indivíduo e de sua identidade. O conjunto regulatório da sexualidade de cada sociedade é representada pela heteronormatividade, que regulamenta os princípios morais e aceitáveis para determinada sociedade determina e aceita como pertencente à suas relações.
A orientação sexual aceita e reconhece um amplo e diversificado conjunto de sentimentos, práticas sociais, sexuais e afetivas nas relações sexuais entre os diferentes gêneros, sendo homossexual ou heterossexual.
A orientação sexual de cada indivíduo pode ou não então fugir aos estereótipos (imagem social generalizada de um grupo social), reproduzidos nas relações entre os seres de uma determinada sociedade.
Educação sexista – tipo de educação que contém padrões rígidos de gênero, padrões determinantes para o controle dos padrões comportamentais sexuais de determinada sociedade – é transmitida através dos ensinamentos da família, escola e sociedade, e são aprendidas gradualmente.
Lendo alguns materiais na internet, sobre livros infantis e educação sexista encontrei um da Ruth Rocha que me chamou atenção - "Faca sem ponta, galinha sem pé" que conta a história de dois irmãos que viviam brigando e implicando com aquilo que o/a outro/a não podiam fazer por ser um menino e uma menina (permissão ou não para a menina jogar futebol) e num momento na narrativa eles trocam de papel e descobrem que as diferenças entre meninos e meninas são meras convenções e que não existe essa história de "coisas de menino" e "coisas de menina". A leitura proporciona uma visão questionadora quanto à manutenção de uma sociedade sexista.
Como Educadora, vejo no cotidiano escolar as desigualdades nas relações de gênero   reproduzidas diariamente em nossa prática, e principalmente nos matérias didáticos que trabalhamos. É necessária a construção novas concepções, para assim, criarmos, na prática, possibilidades de vivenciar essas relações de forma democrática e igualitária. Os materiais didáticos colaboram com a manutenção de uma hierarquia social preconceituosa e injusta, que impõe caminhos dolorosos de socialização àqueles que fogem aos padrões de identidade dominantes da sociedade à que pertencem.
A não aceitação por muitos indivíduos da opção sexual ou orientação e educação sexual, acaba por gerar violência que envolve discriminações de gênero – como a homofobia e preconceitos em geral. Esta é a principal função de nó educadores, ensinar nossos alunos ao menos a respeitar a individualidade, subjetividade e opção sexual de cada indivíduo.

 
REFERÊNCIA:
MAIA, A. C. B.; MAIA, A. F. Educação para as Questões de Gênero e Diversidade Sexual. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 2. p.31-61.

“EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: O BRASIL AFRO”
AUTOR: Dagoberto José Fonseca

            Não há como negar... Um grande número (quase todos ou a maioria) de materiais didáticos são racistas e preconceituosos. Dificilmente encontraremos conceitos e contextos em que se é desvinculado do processo sócio-cultural, sócio-histórico e sócio-étnico-racial que o Brasil e a maioria dos países do mundo todo sofreram e/ou ainda sofrem em relação ao preconceito, racismo, discriminação e marginalização.
            Difícil é falar de Brasil, sem falar de sua história, sua identidade e escravidão. Foram os interesses políticos e econômicos que fizeram do Brasil esse país colonizado, rico em miscigenação e identidade cultural. Todo processo de construção de identidade social e étnico-racial dos indivíduos em uma sociedade é flexível, passivo de mudanças e, varia de acordo com seus próprios interesses sociais.
            O racismo, aqui no Brasil, teve seu fundamento teórico em função da miscigenação e da mestiçagem, que ocorreu na sociedade brasileira desde a época do “descobrimento”. Essa mistura de raças acabou por originar certo preconceito de alguns. O racismo tem sofrido mudanças e diminuição ao longo do tempo e ao mesmo tempo em que as pessoas deixam de ignorar os fatos que as levam a ter preconceitos raciais. O racismo institucional é o principal que deve começar a ser exterminado, e com urgência, principalmente no âmbito educacional.

REFERÊNCIA:

 
FONSECA, D. J. Educação das Relações Étnico-Raciais: O Brasil Afro. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 3. p.62-90.

“EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA”
AUTORAS: Vera Lúcia Messias Fialho Capellini, Eliana Marques Zanata e Elisandra André Maranhe

            A ausência da convivência dos seres humanos com a maioria das pessoas com deficiência gerou conceitos distorcidos, preconceitos e estigmas por essas pessoas em nossa sociedade. Há pouco tempo que se tornou comum o convívio dessas pessoas em todos os meios. Os primeiros a buscarem por essas mudanças foram os profissionais da saúde, buscando possibilidades de tratamentos e de integração dos mesmos em convívio social, tanto familiar, como escolar e profissional.
            Para que haja uma aceitação desses indivíduos com naturalidade entre nossa sociedade é necessário que haja infraestruturas adequadas, ações de sensibilização, informação e conhecimentos das diversas e dos diferenciados tipos de deficiência existentes entre os indivíduos.
            Mas uma verdadeira sociedade inclusiva necessita do apoio e das adequações governamentais e dos cidadãos como respeitadores e valorizadores dessas diferenças.
            É necessário que a equidade entre os seres seja garantida, para que a igualdade ocorra de fato em relação às pessoas com deficiência, para que sua inserção na sociedade seja de forma ampla.
            A educação deve ser uma das garantias para essas pessoas, além da garantia de vários suportes necessários como materiais, estruturais e humanos. Assim como todos os cidadãos, como plenos direitos e deveres.
            Deficiências: intelectual, visual, auditiva, física, de altas habilidades ou superdotação.... cada uma possui suas especificidades e cada indivíduo é um ser único e deve ser tratado com respeito, educação e igualdade. Esta é a verdadeira inclusão...
Acessibilidade, sensibilização e a cooperação são aspectos relevantes e que devem ser considerados em relação às deficiências.
REFERÊNCIA:

CAPELLINI, V. L. M. F.; ZANATA, E. M.; MARANHE, E. A. Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 4. p. 91-112.

Filmes: Dicas Interessantes

A história de Brooke Ellison

Amargo regresso

Dr. Fantástico

Além dos meus olhos

Forrest Gump - O contador de histórias

Janela da alma

Nell

Meu nome é radio

Perfume de mulher

A casa

A cor do paraíso

Vermelho escarlate

Uma lição de amor

Um sonho de liberdade

Tempo de depertar

Testemunha do silêncio

Na companhia do medo

Retratos de uma obssessão

Meu filho meu mundo

Enigma das cartas

O aprendiz de sonhador

Quilombo dos Palmares

Hotel Ruanda

Bicho de sete cabeças

Garotas ABC

Domésticas

Xica da Silva

Minha vida cor-de-rosa

A criança

Ao mestre com carinho

Geração roubada

Infância nua

Lições para toda a vida

A invenção da infância

Futuro da Nação...

"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."
Paulo Freire


Ler devia ser proibido! Ler devia ser proibido?



O que vocês acham?
Sintam-se livres para comentar!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Literatura: Dicas Interessantes

Homem não chora, de Flávio de Souza, Editora FTD
O menino que brincava de ser, de Georgina da Costa Martins, Editora DCL.
Menino brinca de boneca?, de Marcos Ribeiro, Editora Salamandra.

Faca sem ponta, galinha sem pé, de Ruth Rocha, Editora Ática.

Declaração Universal dos Direitos Humanos, de Ruth Rocha, Editora Salamandra.

Azul e Lindo: Planeta Terra, Nossa Casa, de Ruth Rocha, Editora Salamandra.

Coisas de Índio, de Daniel Mundukuru, Editora Callis.
Aprendendo com os índios, de Heliana Grudzien, Editora Cortez.
A água que vai pro céu, Norival Diniz, Editora Global.
Água, Meio Ambiente e Vida, Gian Calvi, Editora Global.
Educação do Campo e Desenvolvimento Rural Sustentável: avaliação de uma prática educativa, de Edmerson dos Santos Reis (edmerson@oi.com.br), Juazeiro-BA
Educação no Campo, do Organizador Gilberto Luiz Alves, Editora Autores Associados.
Educação do Campo - Desafios Teóricos e Práticos, de Célia Regina Vendramini, Editora Insular.

Direitos do Portador de Necessidades Especiais, de Antonio Rulli Neto, Editora Imprensa Serasa (Série Cidadania - http://www.serasa.com/).

domingo, 20 de março de 2011

Educação Ambiental na Prática Educacional - Educação de Temas Específicos

           A Educação Ambiental na Prática Educacional é o que realmente falta! Falta ser colocada em prática! A prática do desenvolvimento sustentável deve ser ensinada para ser aprendida. Mas, para ensiná-la, nós educadores devemos realmente fazê-la tornar-se real. É necessário que haja a conscientização e ocorram mudanças comportamentais em nossa sociedade para que exista a verdadeira Educação Ambiental.
            A Escola é um ambiente mais do que propício para que ocorra a Educação Ambiental e a Sustentabilidade. Somente através de Projetos de Educação Ambiental, que devem ser construídos pelos professores, funcionários, direção e coordenação das escolas, alunos e demais integrantes da comunidade escolar, é que haverá a conscientização ambiental necessária e, consequentemente, a preservação do Meio Ambiente e a Sustentabilidade. Primeiramente, é necessário uma ação diagnóstica inicial coletiva, para que possam levantar questões ambientais que incomodam a comunidade. Após a busca de esclarecimentos prévios, poderá ser necessário auxílio de profissionais que tenham tal competência, caso o professor e demais colegas de trabalho (corpo docente) não sejam habilitados a esclarecerem. Todas as etapas de um Projeto de Educação Ambiental devem ser planejadas e, acima de tudo, contar com a participação de todos os envolvidos. É muito importante contextualizar a problematização ambiental abordada no Projeto, através de aulas e pesquisa de campo, que são de grande relevância entre a teoria e a prática, porque visam à compreensão da realidade e entendimento do contexto social, sendo embasada por discussões e reflexões na busca de soluções, que é elemento de grande importância no processo ensino-aprendizagem. Aí está uma atividade realmente considerada como Ação Educativa Ambiental.
             Na maioria dos ambientes escolares atuais, a Educação Ambiental acaba sendo abordada, no processo educativo, por práticas descontextualizadas e voltadas somente à resolução de alguns problemas ambientais imediatos da sociedade, não buscando soluções duradouras ou mudanças comportamentais. Muitas vezes, o professor acaba por lançar mão de atividades pontuais, como o trabalho somente de datas comemorativas relacionadas ao Meio Ambiente, o que não exige reflexão dos alunos nem mesmo conhecimentos extras do professor.
             É preciso ser ensinada a economia de água, economia de energia, ensinar como se deve evitar a poluição (rios, lagos, mares e do ar), o desmatamento, as queimadas, a caça e a pesca predatória. Enfim, é preciso ensinar aos alunos a prática de um desenvolvimento sustentável e não destruidor de nosso ambiente. É necessário que haja a conscientização de que, como seres humanos, somos parte integrante do Meio Ambiente em que estamos inseridos e que necessitamos dele para retirarmos nossa sobrevivência e sustento.
              Sustentabilidade está relacionada ao conceito ecológico de estabilidade dos ecossistemas (Herculano, 1992). Desenvolvimento Sustentável é o sinônimo do desenvolvimento de toda a sociedade em relação aos contextos sociais, assim como os econômicos e políticos. Isso inclui todos os cidadãos (diferentes classes sociais) e as produções de bens de consumo (custo/benefício). Para isso é necessário a eliminação de desperdícios e irracionalidades do processo produtivo, através de ações de preservação, recuperação e/ou reciclagem dos recursos naturais não renováveis.
             Os professores devem estar atentos ao cotidiano da escola e da comunidade, para explorar e levantar questões ambientais a serem discutidas, através da perspectiva da transversalidade e da interdisciplinaridade, que devem ser refletidas. A partir daí, serem tomadas soluções, através da participação de todos que compõem o ambiente escolar e sua comunidade, partindo da criticidade e participação efetiva nesse contexto histórico e social das questões ambientais.
              Ações práticas são urgentemente necessárias à solução dos problemas ambientais detectados na sociedade e devem ser priorizados quando na elaboração do Projeto Político-Pedagógico das escolas. A verdadeira Educação Ambiental é aquela voltada para a prática efetiva de Projetos transformadores da Educação e do meio social, através do conhecimento sustentável e de sustentabilidade, que estimule reflexões, pensamentos críticos e tomada de ações práticas transformadoras, em relação ao meio ambiente e à nossa sociedade.
REFERÊNCIA:                                                                                                                  
DAIBÉM, A. M. L.; TALAMONI, J. L. B. Educação Ambiental na prática educacional. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. EDUCAÇÃO DE TEMAS ESPECÍFICOS. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, Unidade 1. p. 3-30.

Educação Quilombola - O que é um Quilombo?

          Um quilombo era um local de refúgio dos escravos no Brasil, em sua maioria afrodescendentes (negros e mestiços), havendo minorias indígenas e brancas. O mais famoso na História do Brasil foi o de Palmares.
Etimologia: A palavra "quilombo" tem origem nos termos "kilombo" (Quimbundo) ou "ochilombo" (Umbundo), presente também em outras línguas faladas ainda hoje por diversos povos Bantus que habitam a região de Angola, na África Ocidental. Originalmente, designava apenas um lugar de pouso utilizado por populações nômades ou em deslocamento; posteriormente passou a designar também as paragens e acampamentos das caravanas que faziam o comércio de cera, escravos e outros itens cobiçados pelos colonizadores.
Foi no Brasil que o termo "quilombo" ganhou o sentido de comunidades autônomas de escravos fugitivos. Havia escravidão, porém, em alguns quilombos.
Características das regiões de grande concentração de escravos, afastados dos centros urbanos e em locais de difícil acesso. Embrenhados nas matas, selvas ou montanhas, esses núcleos se transformaram em aldeias, dedicando-se à economia de subsistência e às vezes ao comércio, alguns tendo mesmo prosperado. Existem registros de quilombos em todas as regiões do país. Primeiramente um destaque especial ao estado de Alagoas, mais precisamente no interior do estado na cidade de União dos Palmares, que até hoje concentra o principal e maior quilombo que já existiu: o quilombo dos Palmares. Segundo os registros existem quilombos nos seguintes estados brasileiros: Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os seus habitantes, denominados de "quilombolas", eram originalmente agrupamentos de ex–escravos fugidos de seus senhores desde os primeiros tempos do período colonial. Em algumas épocas e locais, tentaram reproduzir a organização social africana, inclusive com a escolha de reis tribais.
Quanto a violência praticada pelos quilombos e quilombolas, Luiz Gonzaga da Fonseca, no seu livro "História de Oliveira", na página 37, descreve o caos provocado no Caminho de Goiás, a Picada de Goiás, pelos quilombolas do Quilombo do Ambrósio, o principal quilombo de Minas Gerais:
"Não há dúvida que esta invasão negra fora provocada por aquele escandalosa transitar pela picada, e que pegou a dar na vista demais. Goiás era uma Canaã. Voltavam ricos os que tinham ido pobres. Iam e viam mares de aventureiros. Passavam boiadas e tropas. Seguiam comboios de escravos. Cargueiros intérminos, carregados de mercadorias, bugigangas, minçangas, tapeçarias e sal. Diante disso, negros foragidos de senzalas e de comboios em marcha, unidos a prófugos da justiça e mesmo a remanescentes dos extintos cataguás, foram se homiziando em certos pontos da estrada ("Caminho de Goiás" ou "Picada de Goiás"). Essas quadrilhas perigosas, sucursais dos quilombolas do rio das mortes, assaltavam transeuntes e os deixavam mortos no fundo dos boqueirões e perambeiras, depois de pilhar o que conduziam. Roubavam tudo. Boidadas. Tropas. Dinheiro. Cargueiros de mercadorias vindos da Corte (Rio de Janeiro). E até os próprios comboios de escravos, matando os comboeiros e libertando os negros trelados. E com isto, era mais uma súcia de bandidos a engrossar a quadrilha. Em terras oliveirenses açoitava-se grande parte dessa nação de “caiambolas organizados” nas matas do Rio Grande e Rio das Mortes, de que já falamos. E do combate a essa praga é que vai surgir a colonização do território (de Oliveira (Minas Gerais) e região). Entre os mais perigosos bandos do Campo Grande, figuravam o quilombo do negro Ambrósio e o negro Canalho."
Embora a escravidão no Brasil tenha sido oficialmente abolida em 13 de maio de 1888, alguns desses agrupamentos chegaram aos nossos dias, graças ao seu isolamento. Outros transformaram-se em localidades, como por exemplo Ivaporunduva, próximo ao rio Ribeira de Iguape, no estado de São Paulo.
A maioria dos quilombos tinha existência efêmera, pois uma vez descobertos, a sua repressão era marcada pela violência por parte dos senhores de terras e de escravos, com o duplo fim de se reapossar dos elementos fugitivos e de punir exemplarmente alguns indivíduos, visando atemorizar os demais cativos.
Estudos genéticos: Estudos genéticos realizados em quilombos têm revelado que a ancestralidade africana predomina na maioria deles, embora seja bem significativo a presença de elementos de origem européia e indígena nessas comunidades. Isso mostra que os quilombos não foram povoados apenas por africanos, mas também por pessoas de origem européia e indígena que foram integradas nessas comunidades. Os estudos mostram que a ancestralidade dos quilombolas é bastante heterogênea, chegando a ser quase que exclusivamente africana em alguns, como no quilombo de Valongo, no Sul, enquanto em outros a ancestralidade européia chega até a predominar, como no caso do quilombo do Mocambo, no Nordeste, mas isso é a exceção.
REFERÊNCIA:
WIKIPÉDIA: A enciclopédia livre. Flórida (Estados Unidos da América): Wikimedia Foundation, 2003. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo>. Acesso em: 30 nov. 2010.

Educação Indígena - Educação para Populações Específicas

               Após a destruição e extermínio da maioria das aldeias e dos povos indígenas, com a chegada dos colonizadores europeus (portugueses), houve uma lenta reabilitação desses povos. Mas a partir daí eles (os índios) deixaram de serem povos selvagens da floresta e passaram a se reorganizar e a serem cidadãos brasileiros e viverem em sua diversidade cultural, mas sem terem a mesma autonomia plena que possuíam anteriormente à colonização.
 Os indígenas, assim como outros povos, sofreram e, ainda sofrem dois tipos de violência: a violência bruta e a violência simbólica. Foi a partir da colonização portuguesa que surgiu a Escola Indígena, através da violência e da imposição da pedagogia jesuítica.
 A perda da identidade étnica dos indígenas foi o que pior lhes aconteceu. Pois, os invasores, sempre utilizaram da violência como argumento que justificasse sua invasão. A miscigenação de índios, europeus e escravos africanos é que originou nossa nação: o Brasil e seus diferentes povos miscigenados. O Estado Brasileiro não via os índios como cidadãos brasileiros, pois eles possuíam sua própria cultura e uma organização social e política diferenciada. Para os missionários jesuítas, cristianizar/catequizar os índios era o mesmo que ensiná-los a viverem civilizadamente.
Em nossa Constituição Brasileira (1988), os índios são considerados como “povos” e não como nações. A República e o Estatuto do Índio, criados em 1973, julgavam os índios órfãos. A função da FUNAI (Fundação Nacional de Amparo e Proteção ao Índio) surge com o intuito e obrigação de promover a integração do índio à comunhão nacional, ou seja, torná-lo não índio, e sim, um cidadão brasileiro.
A Constituição, veio por garantir que os índios deixassem de ser “órfãos” ou “incapazes” e passassem a ser “diferentes”.
A educação indígena estava, até meados dos anos 70, baseada na educação pós-colonial, passada essa década é que começou a se pensar em programas para a escola indígena, com a finalidade de reforma significativa em sua educação, contra o colonialismo cultural dominante. Ainda hoje se encontram escolas indígenas que ensinam somente o alfabeto na língua portuguesa e não na língua nativa através da justificativa de que a alfabetização na língua nativa destruiria a oralidade da mesma. Em contrapartida, os índios utilizam somente o português quando precisam se relacionar nas cidades, ou seja, fora de suas aldeias. Pensando na economia do comércio realizado pelos indígenas, a matemática era aplicada somente aos cálculos necessários para tal. Mas existem projetos missionários que procuram alfabetizar os índios somente na língua nativa, em seguida na língua portuguesa.
A mudança de governo também influenciava a educação indígena. ONG’s (Organizações não Governamentais) e a FUNAI, sempre estiveram interligadas em prol à educação indígena. Várias mudanças ocorreram no modo de educar e em relação ao que transmitir de conhecimentos aos índios, diferente de suas culturas. Mas, sabe-se que todas essas tentativas estiveram voltadas aos interesses eurocentristas, com os mesmos modelos arcaicos jesuíticos do período pós-colonial.
Hoje, uma das melhores maneiras de se educar os índios é através de educadores/monitores indígenas bilíngües. A partir dos anos 90, as diferentes concepções em relação à educação indígena passam a ser analisadas mais a fundo, por antropólogos e historiadores, que buscaram mapear a evolução da educação escolar indígena no Brasil. Mudanças socioculturais contínuas margeiam esses “povos indígenas” ao longo de séculos.
Segundo Kahn (1994), a Educação Indígena é algo que deve ser conquistado, já a Educação para o índio, é algo que de ser evitado. Educação Indígena, na verdade, é algo que não se enquadra no conceito de “Escola”, sendo que a "Escola” não foi criação da cultura indígena, mas sim dos “brancos”, desde a colonização.
Mesmo existindo ações educativas no Brasil, voltadas ao modelo libertador, a Educação Indígena não está desvinculada do modelo da escola formal, hierarquizada e individualista de nossa sociedade.
Nos últimos 30 anos, é que se iniciou a problemática e tomada de consciência dessas transformações socioculturais entre os indígenas e dos não indígenas (“homens brancos”). Atualmente, os indígenas sofrem e, ao mesmo tempo, buscaram a revolução tecnológica. As escolas indígenas estão aos poucos incorporando a tecnologia aos seus processos educacionais.
As escolas indígenas possuem atualmente a mesma estrutura curricular das escolas normais de nossa sociedade, que possuem apenas algumas adaptações à sua cultura (indígena).
Cabe aos professores indígenas traçarem as propostas curriculares atuais de suas escolas e de sua educação, em respeito à sociodiversidade.
Esse texto só veio complementar e embasar teoricamente os conceitos que eu possuía em relação à educação indígena. As culturas indígenas são muito diversificadas entre si e, as escolas indígenas foram instituídas pelo colonialismo, o que desconfigurou permanentemente a cultura indígena e trouxe mudanças irreversíveis a esses povos.
O Educador da Escola Indígena, sendo ou não índio, deve ter conhecimento dos conceitos e do processo educativo indígena desde seu surgimento até os dias atuais, além de respeitar a sociodiversidade existente entre a cultura em questão e as demais. O currículo precisa visar ambas as culturas e o modo de vida, tanto cultural, como econômico de cada aldeia indígena, seguindo sempre as diretrizes nacionais da educação escolar indígena. Por ser uma escola diferenciada, seu currículo e objetivos também são e devem ser cumpridos, respeitados e adaptados do melhor modo possível, onde a língua materna é o principal meio cultural a ser preservado, além dos costumes de cada tribo indígena.

REFERÊNCIA:

DOMINGUES, S. A. Sujeitos e saberes da educação indígena. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. EDUCAÇÃO PARA POPULAÇÕES ESPECÍFICAS. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.3, unidade 3. p. 64-97.




Sujeitos e Saberes da Educação de Jovens e Adultos, da Educação no Campo, da Educação Indígena e da Educação Quilombola

CURSO: CURSO EDUCAÇÃO PARA DIVERSIDADE E CIDADANIA – UNESP – SECAD - UAB
PROF(A). RESPONSÁVEL: Elisandra A. Maranhe

MÓDULO 3 - UNIDADE 1: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS”
AUTORES: Antônio Francisco Marques e Eliana Marques Zanata

            A alfabetização faz parte da educação básica de todo e qualquer indivíduo que deseja dar continuidade a diferentes aprendizagens, conhecimentos e competências.
            O processo educativo está diretamente ligado ao processo do desenvolvimento humano.
            No Brasil, somente em 1945 é que foi regulamentado a Educação de Adultos, a Educação de Jovens em Ensino Primário Fundamental de 2 anos, havia sido criada a alguns anos anteriores, assim como também o Ensino Primário Fundamental para crianças de 7 a 12 anos.
            Movimentos sociais em busca de justiça, igualdade e educação começaram a surgir a partir da década de 1930, e buscavam transformações nos âmbitos sociais, econômicos, culturais e políticos do país. Década esta marcada pelas instalações industriais no país.
            O resultado das pressões dos movimentos sociais, levaram o governo, no ano de 1964, a darem o Golpe de Estado, que, com o apoio do imperialismo norte-americano, para evitarem que a elite perdesse o seu poder político. Surge o Programa de Alfabetização do Povo e o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) em 1969.
Essa redemocratização do país acabou por criar novos movimentos educacionais como o MOVA (Movimento da Alfabetização - 1985), o PAS (Programa de Alfabetização Solidária - 1996) e o Programa Brasil Alfabetizado (2003), que tinham como finalidade erradicar o analfabetismo.
            A escolarização no Brasil está presente desde o início da colonização, como a catequização indígena, já os escravos nunca tiveram esse privilégio e lutam por esse direito até os dias atuais.
No ano de 1997, o governo brasileiro lança a Proposta de Educação de Jovens e Adultos. A nova proposta concepção escolar, coloca os educandos como sendo os principais sujeitos do processo educativo, o que para a maioria dos adultos é tido com certa resistência, pois não se assemelha ao tipo de educação que os mesmos conhecem ou idealizam, que é o modelo de escola tradicional.
A maioria dos jovens e adultos, que buscam por essa educação, são marginalizados e, sofrem diversos preconceitos por não serem alfabetizados, ou, até mesmo, por estarem buscando essa alfabetização tardia.
Os avanços tecnológicos e científicos tiveram nos últimos 50 anos um avanço e impacto acelerados em nossas vidas e sociedade em geral, o que trouxe benefícios e malefícios à humanidade em geral.
Alguns aspectos relevantes de nossa atual educação são os analfabetos funcionais (que possuem, também, menos de 4 anos de escolaridade) que estamos formando, são aqueles alunos que “passam” pela escola e, que sabem ler, ou seja, são alfabetizados, mas não interpretam ou raciocinam ou escrevem bem sobre o que leram. Outros são os analfabetos digitais, aqueles que não conhecem a tecnologia dos computadores, internet...
            O desemprego dos adultos entre 40 e 50 anos é o principal fator que os levam a perderem o sentido da vida, assim também desaparece o interesse pelo aprender. Hábitos saudáveis garantem uma velhice com saúde e evitam muitas doenças crônicas, que é muito comum a partir do início da 3ª idade ou da idade adulta média (40 aos 65 anos).
            Com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9394), criada em 1996, o EJA (Educação de Jovens e Adultos) passa a ser garantido por lei.
            As propostas educacionais do EJA devem partir dos conhecimentos prévios desses adultos, ou seja, dos conhecimentos e habilidades que estes possuam, de suas experiências profissionais, culturais e sociais. A partir daí, devemos contextualizar o ensino dos conteúdos as aprendizagens dos alunos, para serem estas aprendizagens, significativas, que os ajudem as melhores viver em sociedade e que modifiquem suas vidas.

MÓDULO 3 - UNIDADE 2: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO NO CAMPO”
AUTORES: Antônio Francisco Marques e Eliana Marques Zanata

Uma visão minimalista do próprio governo brasileiro, criada através da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996), criou e garante até hoje, somente a Educação Básica a essa população rural (campo) e não menciona em momento algum o prosseguimento dos estudos em nível superior.
            A Educação do Campo exige que haja um currículo que atenda as necessidades gerais e específicas de cada região do nosso país, Brasil, de acordo com cada cultura e cada população. Currículo este que deve ser flexível ao tipo de economia que a população desenvolve, baseando-se também nos princípios da diversidade social.
            A população rural vem diminuindo gradativamente ao longo dos anos (êxodo rural), mas ainda existe e sempre existirá um número considerável desta população. Cabe ressaltar que esta população apresenta uma série de desvantagens à população rural, como o acesso aos recursos financeiros, ao acesso à escolarização, à saúde, aos direitos sociais, ao lazer e à cultura.
            A Educação do Campo abrange as populações da zona rural, como os pequenos agricultores, os sem-terra, os povos da floresta, pescadores, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, assalariados rurais jovens e adultos, os bóias-frias, meeiros entre outros. Esse é um dos motivos que levam a Educação do Campo a não ser uniforme e inflexível, pois abrange e deve suprir todas as especificidades de cada uma dessas diferentes comunidades.
            Os grandes desafios da Educação do Campo são a falta de professores preparados, falta de estrutura física, falta de transporte, alimentação, materiais didáticos e também, a falta de contextualização sócio-cultural do currículo com a realidade vivida por essas populações. O calendário Escolar é um aspecto importante que deve ser analisado e estruturado de acordo com cada região e população rural que a Escola Rural atende, para que a educação e os conteúdos escolares não sejam prejudicados e nem prejudiquem os alunos dessas comunidades, de acordo com a época de colheita e de plantio de cada região, épocas em que as crianças necessitam auxiliar suas famílias.
            Para haver uma melhoria nesses aspectos, deve-se buscar a valorização do conhecimento dessas comunidades para que o currículo seja adaptado de modo a garantir que tenham consciência crítica do mundo em que estão inseridos e de sua cidadania.
            Para isto, é necessário garantir o direito à igualdade de condições de aprendizagem, garantir o direito ao respeito à diferença, para assim, essas comunidades poderem assumir sua identidade cultural e valorizarem-se, além de garantir seus direitos e cumprir os seus deveres de cidadãos.
            Garantir esses direitos é fazer acontecer a verdadeira Pedagogia da Alternância, onde a formação agrícola e suas atividades práticas estão relacionadas diretamente com a formação teórica geral da escola rural. Ainda se faz necessário o preparo para a vida dos alunos em sociedade, sendo produtiva, comunitária e associativa/cooperativa.
Somente essa Pedagogia da Alternância é capaz de promover e garantir a permanência das famílias e de seus filhos no campo, mas com o direito ao acesso de uma educação igual a dos centros urbanos.
            Os principais pilares que regem a elaboração e o desenvolvimento do projeto político-pedagógico das escolas rurais (campo) são: o respeito às diferenças, a organização do calendário escolar (tempo escolar) e a organização do espaço escolar.
            A Educação do Campo deve garantir a construção dos conhecimentos através da interdisciplinaridade, para que haja aprendizagens significativas e para que as aprendizagens possam ser integradas as relações sociais. Os conhecimentos que devem ser transmitidos aos alunos através da adaptação dos currículos, acabam sendo frutos da necessidade imposta pela vida social, na qual esses indivíduos estão diretamente envolvidos e que serão atuantes ou já se fazem atuantes economicamente nelas.
            Há ainda aulas multisseriadas, onde devem ser favorecidos os trabalhos por agrupamentos, mas garantindo sempre a participação de todos no processo de ensino-aprendizagem e também os trabalhos individuais, a busca pela igualdade dos níveis de desenvolvimento e das aprendizagens significativas.
            A Educação do Campo deve sempre priorizar a preservação das raízes rurais e o aprendizados dos alunos, além do acesso aos conhecimentos socialmente valorizados por essas comunidades.

MÓDULO 3 - UNIDADE 3: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO INDÍGENA”
AUTOR: Sérgio Augusto Domingues

            Após a destruição e extermínio da maioria das aldeias e dos povos indígenas com a chegada dos colonizadores europeus (portugueses), houve uma lenta reabilitação desses povos. Mas a partir daí eles (os índios) deixaram de serem povos selvagens da floresta e passaram a se reorganizar e a serem cidadãos brasileiros e viverem em sua diversidade cultural, mas sem terem a mesma autonomia plena que possuíam anteriormente à colonização.
 Os indígenas, assim como outros povos, sofreram e, ainda sofrem dois tipos de violência: a violência bruta e a violência simbólica. Foi a partir daí que surgiu a escola indígena, através dessa violência e da imposição da pedagogia jesuítica.
A perda da identidade étnica dos indígenas foi o que pior lhes aconteceu. Pois os invasores sempre utilizaram da violência como argumento que justificasse sua invasão. O que originou nossa nação: o Brasil e seus povos miscigenados. O Estado Brasileiro não vê os índios como cidadãos brasileiros, pois eles possuem sua própria cultura e uma organização social e política diferenciada. Para os missionários jesuítas, cristianizar/catequizar os índios era o mesmo que ensiná-los a viverem civilizadamente.
Em nossa Constituição brasileira, os índios são considerados como “povos” e não como nações. A República e o Estatuto do Índio, criado em 1973, julgam os índios órfãos. A função da FUNAI (Fundação Nacional de Amparo e Proteção ao Índio) tem por obrigação promover a integração do índio à comunhão nacional, ou seja, torná-lo não índio, e sim, um cidadão brasileiro.
A Constituição de 1988, veio por garantir que os índios deixassem de ser “órfãos” ou “incapazes” e passassem a ser “diferentes”.
A educação indígena estava, até meados dos anos 70, baseada na educação pós-colonial, após essa década é que começou a se pensar em programas para a escola indígena com a finalidade de reforma significativa em sua educação, contra o colonialismo cultural dominante. Ainda hoje se encontram escolas indígenas que ensinam somente o alfabeto na língua portuguesa e não na língua nativa através da justificativa de que a alfabetização na língua nativa destruiria a oralidade da mesma. Em contrapartida, os índios utilizam somente o português quando precisam se relacionar nas cidades, ou seja, fora de suas aldeias. Pensando na economia do comércio realizado pelos indígenas, a matemática era aplicada somente aos cálculos necessários para tal. Mas existem projetos missionários que procuram alfabetizar os índios somente na língua nativa, em seguida na língua portuguesa.
A mudança de governo também influenciava a educação indígena. ONG’s e a FUNAI, sempre estiveram interligadas pela educação indígena. Várias mudanças ocorreram no modo de educar e o que transmitir de conhecimento aos índios, diferente de suas culturas, mas hoje, sabe-se que todas essas tentativas estiveram voltadas aos interesses eurocentristas, com os mesmos modelos arcaicos jesuíticos do período pós-colonial.
Hoje, uma das melhores maneiras de se educar os índios é através de educadores/monitores indígenas bilíngües. A partir dos anos 90, as diferentes concepções em relação à educação indígena passam a ser analisadas mais a fundo, por antropólogos e historiadores, que buscaram mapear a evolução da educação escolar indígena no Brasil. Mudanças socioculturais contínuas margeiam esses “povos indígenas” ao longo de séculos.
Segundo Kahn (1994), a Educação Indígena é algo que deve ser conquistado, já a Educação para o índio é algo que de ser evitado. Educação Indígena, na verdade, é algo que não se enquadra no conceito de “Escola”, sendo que a "Escola” não foi criação da cultura indígena. Mesmo existindo ações educativas no Brasil, voltadas ao modelo libertador, não está desvinculada ao modelo escola formal, hierarquizado e individualista de nossa sociedade.
Nos últimos 30 anos, é que se iniciou a problemática e tomada de consciência dessas transformações socioculturais entre os indígenas e dos não indígenas (“homens brancos”). Atualmente, os indígenas sofreram e, ao mesmo tempo, buscaram a revolução tecnológica. As escolas indígenas estão aos poucos incorporando a tecnologia aos seus processos educacionais.
As escolas indígenas possuem atualmente a mesma estrutura curricular das escolas normais de nossa sociedade, possuem apenas algumas adaptações à cultura indígena. Cabe aos professores indígenas traçarem as propostas curriculares atuais de suas escolas, em respeito à sociodiversidade.

MÓDULO 3 - UNIDADE 4: “SUJEITOS E SABERES DA EDUCAÇÃO QUILOMBOLA”
AUTOR: Dagoberto José Fonseca.

Um quilombo era um local de refúgio dos escravos no Brasil, em sua maioria afrodescendentes (negros e mestiços), havendo minorias indígenas e brancas. O mais famoso na História do Brasil foi o de Palmares.
A palavra "quilombo" tem origem nos termos "kilombo" (Quimbundo) ou "ochilombo" (Umbundo), presente também em outras línguas faladas ainda hoje por diversos povos Bantus que habitam a região de Angola, na África Ocidental. Originalmente, designava apenas um lugar de pouso utilizado por populações nômades ou em deslocamento; posteriormente passou a designar também as paragens e acampamentos das caravanas que faziam o comércio de cera, escravos e outros itens cobiçados pelos colonizadores. Foi no Brasil que o termo "quilombo" ganhou o sentido de comunidades autônomas de escravos fugitivos. Havia escravidão, porém, em alguns quilombos.
Tradicionalmente, os quilombos eram das regiões de grande concentração de escravos, afastados dos centros urbanos e em locais de difícil acesso. Embrenhados nas matas, selvas ou montanhas, esses núcleos se transformaram em aldeias, dedicando-se à economia de subsistência e às vezes ao comércio, alguns tendo mesmo prosperado. Segundo os registros existem quilombos nos seguintes estados brasileiros: Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os seus habitantes, denominados de "quilombolas", eram originalmente agrupamentos de ex–escravos fugidos de seus senhores desde os primeiros tempos do período colonial. Em algumas épocas e locais, tentaram reproduzir a organização social africana, inclusive com a escolha de reis tribais.
Embora a escravidão no Brasil tenha sido oficialmente abolida em 13 de maio de 1888, alguns desses agrupamentos chegaram aos nossos dias, graças ao seu isolamento. Outros transformaram-se em localidades.
A maioria dos quilombos tinha existência efêmera, pois uma vez descobertos, a sua repressão era marcada pela violência por parte dos senhores de terras e de escravos, com o duplo fim de se reapossar dos elementos fugitivos e de punir exemplarmente alguns indivíduos, visando atemorizar os demais cativos.
Os quilombolas, diferentemente dos índios, conseguiram nos dias atuais, recriar o mundo antigo deles, através de suas bases culturais africanas, com uma mistura de indígenas e europeus, políticas, éticas e religiosas, e organizaram seus valores, transmitindo-os às novas gerações, através da educação formal, como auxílio do Estado.
O termo quilombo sofreu mudanças em seu significado e hoje, mesmo tendo seu conteúdo histórico, possui características peculiares e atuais da cultura africana.
Atualmente, no Brasil são catalogadas, aproximadamente, mais de 5 mil áreas quilombolas, mas nem todas possuem reconhecimento oficial e assistência em relação aos seus direitos básicos de cidadão, como: saúde, educação. Sendo esses direitos, uma obrigação do Estado em relação a toda e qualquer população de nossa República Federativa.
A educação dos quilombolas existe de modo não formal, ou seja, transmitida através dos mais velhos, oralmente, aos mais novos. Eles transmitem e orientam as crianças e adolescentes a respeito da sociedade em que eles estão inseridos, de sua cultura e história, sobre política, economia e religião. Além de valores morais e étnicos.
Esse tipo de educação é coletiva/comunitária e, é através da prática do dia a dia dos quilombos que elas são transmitidas.
A educação formal é transmitida de acordo com a cultura dos mesmo e tem por objetivo, além da transmissão de novos conhecimentos, o desenvolvimento sustentável dessas comunidades.
Somente as séries iniciais da Educação Fundamental existem nas comunidades quilombolas, sendo difícil o acesso dessas crianças às escolas nas áreas urbanas.
A luta dos negros pela liberdade e igualdade, continuou após e Proclamação da República. A própria sociedade brasileira assume-se discriminatória e racista.
Os docentes que forem trabalhar com a educação quilombola devem, primeiramente, ouvir, procurar conhecer, através das pessoas moradoras dos quilombos, saber de sua realidade social, política e econômica, posteriormente devem elaborar seu material didático e sua proposta político-pedagógica.
O fator histórico-cultural das sociedades quilombolas é de extrema importância em relação aos processos sociais de ensino-aprendizagem, devendo ser significativa, onde a teoria e a prática devem caminhar juntas.