“EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PRÁTICA EDUCACIONAL”
AUTORAS: Ana Maria Lombardi Daibém e Jandira Liria Biscalquini Talamoni
O texto faz uma relação entre o ser humano e suas relações com o mundo e com a sociedade, o que acaba por tornar o ser humano em um ser social, transformador de seu ambiente e transmissor de sua cultura através da história. A Educação é o principal veículo e instrumento cultural que a sociedade possui para que, através da democracia, possa modificar e sistematizar a metodologia capaz de transmitir e fazer com que a sociedade se aproprie criticamente dos conhecimentos, atitudes e valores (sociais e políticos) em relação à Educação Ambiental.
A Educação Ambiental engloba, além de Ecologia, o estudo de Ciências. A Pedagogia, que é uma ciência prática, só é desenvolvida por meio da compreensão da realidade, da teoria e da prática (dialética). Segundo Marx (apud Vazquez, 1997), somente a teoria é incapaz de transformar a realidade; o conhecimento surge indissociável à transformação prática da realidade social.
Paulo Freire (1975) chama a atenção para a prática real, objetiva ou material dos seres humanos em relação ao Meio Ambiente, sendo a sociedade os responsáveis pela transformação do Mundo; pois o homem é um ser da ação e reflexão.
“A Educação é um patrimônio imaterial da humanidade”, essa afirmação, trazida pelas autoras (Daibém e Talamoni, 2009), explica que, a partir do momento em que os seres humanos são seres que necessitam da natureza para sua sobrevivência em grupos e individualmente, tornam-se seres culturais e extraem dela produtos de forma ativa e intencional (relações de produção/trabalho material). Para obterem a produção material, os seres humanos precisam produzir idéia, valores, conceitos, hábitos, símbolos, atitudes e habilidades, que dão origem à produção do saber.
A Educação então passa envolver três principais práticas: a prática produtiva (relação com a natureza), a prática política (relação social) e a prática simbolizadora (relação individual – consigo mesmo). São essas práticas que nos tornam seres humanos em atividade no mundo. A Educação abrange as representações mentais e os conhecimentos do mundo real (ciência), a valorização (ética) e a simbolização (arte). Esses são elementos da produção do saber, que passam a ser considerados, segundo Saviani (1992), como aprendizagens necessárias para a constituição de uma segunda natureza numa espécie (ser humano). A Educação Ambiental passa a necessitar da identificação desses elementos naturais e culturais da humanidade para serem aprendidos e postos em prática nas relações com os seres sociais e com o Meio Ambiente em que estão inseridos.
Surge em meados dos anos 70 a preocupação com a Educação Ambiental (estritamente ecológica) em vários países e no ano de 1981, no Brasil, visando estimular a sociedade a participarem efetivamente da preservação ambiental, torna-se necessário, em todos os níveis de ensino e nas comunidades, a inclusão da Educação Ambiental (Lei Nacional do Meio Ambiente – 6938/81 – PNMA; Constituição Brasileira de 1988: Art. 225, Cap. VI e Art. 214, Cap. III).
No processo Educacional Brasileiro, desde então, pode-se perceber que não houve por parte dos Educadores a prática necessária relacionada à Educação Ambiental nos ambientes escolares, sendo que a discussão sobre as causas e consequências dos problemas ambientais eram somente transmitidos parcialmente, não permitindo aos educandos terem uma visão ampla e integrada da complexidade do tema, nem ao menos desenvolverem reflexões críticas sobre tal.
No Brasil, a falta de percepção da Educação Ambiental como processo educativo acabou por proporcionar práticas descontextualizadas e voltadas somente para a resolução de alguns dos problemas ambientais físicos. Somente a partir da década de 90 é que o Governo brasileiro (Ministério da Educação e Ministério do Meio Ambiente) produziu documentos e ações importantes para a Educação Ambiental. Lançaram os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s - 1997), que definiu como sendo tema transversal a serem discutidos e debatidos essas questões ambientais nas escolas.
Em 1999, instituiu-se a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9795/99).
Apesar de todas as Leis e ações governamentais, ainda é dificultosa a Educação Ambiental nas escolas, pois visam práticas descontextualizadas, focada somente no indivíduo e seu comportamento.
Um grande número de professores apresenta dificuldades que os impossibilitam compreender e colocar em prática a Educação Ambiental que vise a formação de alunos críticos em relações a essas questões e suas soluções direta ou indireta.
Alguns professores se mostram interessados e se empenham para tal, mas sua formação (inicial e contínua) não os possibilitou ter acesso aos conhecimentos realmente necessários para que eles pudessem transmiti-los aos alunos, através da perspectiva da transversalidade e da interdisciplinaridade, necessárias para a prática da Educação Ambiental. Muitas vezes o professor acaba por lançar mão de atividades pontuais, como as datas comemorativas, que não exige reflexão dos alunos nem mesmo conhecimentos extras do professor.
A verdadeira Educação Ambiental seria aquela voltada para a prática efetiva de projetos transformadores da educação e do meio social, através do conhecimento sustentável e de sustentabilidade, que estimule reflexões, pensamentos críticos, e, tomada de ações práticas, transformadoras em relação ao meio ambiente e à sociedade.
A prática da exploração e degradação do Meio Ambiente é uma relação existente a milhares de anos entre o ser humano e seu habitat, essa ética individualista e competitiva, acaba por caracterizar as sociedades humanas incapazes de reconhecerem a importância das interações entre os seres vivos e o meio ambiente. O ser humano passa a “esquecer” que faz parte desse ambiente e de suas relações. O que acarreta um certo ativismo imediatista em relação à minimização dos problemas ambientais e que não serão suficientes para a resolução dos mesmos, pois não há reflexão e nem ao menos mudanças de comportamentos.
De acordo com Tilbury (1996), existe a necessidade de se construir novas teorias com suas atenções voltadas para os aspectos sociais, ambientais e para a sustentabilidade (EAS – Educação Ambiental para a Sustentabilidade).
Sustentabilidade engloba conceitos ligados à justiça e liberdade, segundo Tozoni-Reis (2004), sendo observados em diversos contextos, como sociais, ecológicos e econômicos.
Os professores devem estar atentos ao cotidiano da escola e da comunidade, para explorar e levantar questões ambientais a serem discutidas, refletidas e a partir daí, serem tomadas soluções, através da participação de todos que compõem o ambiente escolar e sua comunidade, através da criticidade e participação efetiva nesse contexto histórico e social das questões ambientais.
Sustentabilidade está relacionada ao conceito ecológico de estabilidade dos ecossistemas (Herculano, 1992), associada a um equilíbrio dinâmico entre suas relações. Desenvolvimento Sustentável é o sinônimo do desenvolvimento de toda a sociedade em relação aos contextos sociais, assim como os econômicos e políticos. Isso inclui todos os cidadãos (diferentes classes sociais) as produções de bens de consumo (custo/benefício). Para isso é necessário a eliminação de desperdícios e irracionalidades do processo produtivo, através de ações de preservação e recuperação (ou ambos) dos recursos naturais não renováveis.
Questões Ambientais devem ser analisadas em vista de vários quesitos, levando em conta todos os aspectos ambientais como as características físicas, químicas, biológicas, sociais, culturais, econômicas e políticas, suas causas e conseqüências no contexto histórico em que ocorre; para que possam ser ampliadas as reflexões e busca de soluções para tal questão ambiental.
Cabe lembrar a importância da interdisciplinaridade, pois uma proposta educacional que valoriza o conhecimento integrado, nos trás uma visão ampla da problemática ambiental. A integração entre as diferentes sociedades e, suas experiências são relevantes para que, se desenvolvam novas ações e reflexões visando o enfrentamento dos desafios ambientais, buscando novos estilos de desenvolvimento para as sociedades humanas e para que ocorram transformações culturais e sociais necessárias.
Após toda essa análise do contexto de degradação ambiental e em relação à ideia de sustentabilidade, observa-se a necessidade de novas estratégias educacionais para tornarmos os indivíduos aptos a participarem ativamente no processo de construção de uma nova sociedade, igualitária e justa, formando cidadãos críticos e profissionais, capazes de debater, refletir e participarem de tomada de decisões em relação às questões que envolvam problemas ambientais e suas comunidades e na prática social, sempre com visões coletivas e nunca individuais.
Projetos de Educação Ambiental devem ser construídos pelos professores, alunos e demais integrantes da comunidade escolar que queiram participar. Deve ser realizada uma ação diagnóstica inicial, coletivamente, para levantar questões ambientais que incomodam a comunidade. Após a busca de esclarecimentos prévios, poderá ser necessário auxílio de profissionais que tenham tal competência, caso o professor e demais colegas de trabalho (corpo docente) não sejam habilitados a esclarecerem. Todas as etapas do projeto deverão ser planejadas e contar com a participação de todos os envolvidos. É muito importante contextualizar a problematização ambiental abordada no projeto, lembrando que aulas de campo são de grande relevância entre a teoria e a prática, visando a compreensão da realidade e entendimento do contexto, embasando discussões e reflexões em busca de soluções. A pesquisa de campo é elemento de grande importância no processo ensino-aprendizagem. Aí está uma atividade considerada com ação educativa ambiental.
REFERÊNCIA:
DAIBÉM, A. M. L.; TALAMONI, J. L. B. Educação Ambiental na Prática Educacional. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 1. p. 1-30.
“EDUCAÇÃO PARA AS QUESTÕES DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL”
AUTORES: Ana Cláudia Bortolozzi Maia e Ari Fernando Maia
As questões de gênero nas escolas deveriam ser revistas nos dias atuais, pois não estão mais de acordo com os comportamentos e aceitações de nossa sociedade, que já não é mais a mesmo há tempos. Mesmo porque essas questões são de grande influência na formação da identidade de nossos educandos. Cabem a nós, educadores, enfrentarmos essas mudanças a fim de enfrentarmos a violência, preconceito e discriminação que surgem em decorrência dessas questões. A Educação deveria ser menos sexista, ou seja, não deveria reproduzir ações discriminantes e preconceituosas. Respeitar a individualidade e a sexualidade de cada indivíduo é aceitá-lo do medo como ele realmente é, com sua identidade individual, sem que haja discriminação em relação ao gênero e à opção sexual.
O conceito de gênero (masculino e feminino), assim como os valores morais, normas, ideais, noções e concepções, foram criadas de acordo com as relações sociais e têm sofrido mudanças gradativas no decorrer da história da humanidade. Educação sexista – tipo de educação que contém padrões rígidos de gênero, padrões determinantes para o controle dos padrões comportamentais sexuais – Família, escola e sociedade, aprendidas gradualmente.
De acordo com o dicionário Michaelis (HTTP://wwwmichaelis.uol.com.br), o conceito de gênero é definido como sendo um conjunto de características que definem seres iguais, por terem características comuns. Mas ao mesmo tempo, os gêneros, mesmo dentro de sua subdivisão podem ter muitíssimas características distintas. Diferenças estas construídas a partir das relações sociais. Esta socialização sexista trás ensinamentos distintos a cada sexo (estereótipos) que justificam os comportamentos de cada gênero (masculinidade e feminilidade) normas sociais, modelos (como pais e educadores) e diferentes tarefas domésticas, atitudes, comportamentos, lazer, esportes, brincadeiras...
Já sexualidade é algo que está diretamente ligado ao complexo processo de formação de cada indivíduo e de sua identidade. O conjunto regulatório da sexualidade de cada sociedade é representada pela heteronormatividade, que regulamenta os princípios morais e aceitáveis para determinada sociedade determina e aceita como pertencente à suas relações.
A orientação sexual aceita e reconhece um amplo e diversificado conjunto de sentimentos, práticas sociais, sexuais e afetivas nas relações sexuais entre os diferentes gêneros, sendo homossexual ou heterossexual.
A orientação sexual de cada indivíduo pode ou não então fugir aos estereótipos (imagem social generalizada de um grupo social), reproduzidos nas relações entre os seres de uma determinada sociedade.
Educação sexista – tipo de educação que contém padrões rígidos de gênero, padrões determinantes para o controle dos padrões comportamentais sexuais de determinada sociedade – é transmitida através dos ensinamentos da família, escola e sociedade, e são aprendidas gradualmente.
Lendo alguns materiais na internet, sobre livros infantis e educação sexista encontrei um da Ruth Rocha que me chamou atenção - "Faca sem ponta, galinha sem pé" que conta a história de dois irmãos que viviam brigando e implicando com aquilo que o/a outro/a não podiam fazer por ser um menino e uma menina (permissão ou não para a menina jogar futebol) e num momento na narrativa eles trocam de papel e descobrem que as diferenças entre meninos e meninas são meras convenções e que não existe essa história de "coisas de menino" e "coisas de menina". A leitura proporciona uma visão questionadora quanto à manutenção de uma sociedade sexista.
Como Educadora, vejo no cotidiano escolar as desigualdades nas relações de gênero reproduzidas diariamente em nossa prática, e principalmente nos matérias didáticos que trabalhamos. É necessária a construção novas concepções, para assim, criarmos, na prática, possibilidades de vivenciar essas relações de forma democrática e igualitária. Os materiais didáticos colaboram com a manutenção de uma hierarquia social preconceituosa e injusta, que impõe caminhos dolorosos de socialização àqueles que fogem aos padrões de identidade dominantes da sociedade à que pertencem.
A não aceitação por muitos indivíduos da opção sexual ou orientação e educação sexual, acaba por gerar violência que envolve discriminações de gênero – como a homofobia e preconceitos em geral. Esta é a principal função de nó educadores, ensinar nossos alunos ao menos a respeitar a individualidade, subjetividade e opção sexual de cada indivíduo.
REFERÊNCIA:
MAIA, A. C. B.; MAIA, A. F. Educação para as Questões de Gênero e Diversidade Sexual. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 2. p.31-61.
“EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: O BRASIL AFRO”
AUTOR: Dagoberto José Fonseca
Não há como negar... Um grande número (quase todos ou a maioria) de materiais didáticos são racistas e preconceituosos. Dificilmente encontraremos conceitos e contextos em que se é desvinculado do processo sócio-cultural, sócio-histórico e sócio-étnico-racial que o Brasil e a maioria dos países do mundo todo sofreram e/ou ainda sofrem em relação ao preconceito, racismo, discriminação e marginalização.
Difícil é falar de Brasil, sem falar de sua história, sua identidade e escravidão. Foram os interesses políticos e econômicos que fizeram do Brasil esse país colonizado, rico em miscigenação e identidade cultural. Todo processo de construção de identidade social e étnico-racial dos indivíduos em uma sociedade é flexível, passivo de mudanças e, varia de acordo com seus próprios interesses sociais.
O racismo, aqui no Brasil, teve seu fundamento teórico em função da miscigenação e da mestiçagem, que ocorreu na sociedade brasileira desde a época do “descobrimento”. Essa mistura de raças acabou por originar certo preconceito de alguns. O racismo tem sofrido mudanças e diminuição ao longo do tempo e ao mesmo tempo em que as pessoas deixam de ignorar os fatos que as levam a ter preconceitos raciais. O racismo institucional é o principal que deve começar a ser exterminado, e com urgência, principalmente no âmbito educacional.
REFERÊNCIA:
FONSECA, D. J. Educação das Relações Étnico-Raciais: O Brasil Afro. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 3. p.62-90.
“EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA”
AUTORAS: Vera Lúcia Messias Fialho Capellini, Eliana Marques Zanata e Elisandra André Maranhe
A ausência da convivência dos seres humanos com a maioria das pessoas com deficiência gerou conceitos distorcidos, preconceitos e estigmas por essas pessoas em nossa sociedade. Há pouco tempo que se tornou comum o convívio dessas pessoas em todos os meios. Os primeiros a buscarem por essas mudanças foram os profissionais da saúde, buscando possibilidades de tratamentos e de integração dos mesmos em convívio social, tanto familiar, como escolar e profissional.
Para que haja uma aceitação desses indivíduos com naturalidade entre nossa sociedade é necessário que haja infraestruturas adequadas, ações de sensibilização, informação e conhecimentos das diversas e dos diferenciados tipos de deficiência existentes entre os indivíduos.
Mas uma verdadeira sociedade inclusiva necessita do apoio e das adequações governamentais e dos cidadãos como respeitadores e valorizadores dessas diferenças.
É necessário que a equidade entre os seres seja garantida, para que a igualdade ocorra de fato em relação às pessoas com deficiência, para que sua inserção na sociedade seja de forma ampla.
A educação deve ser uma das garantias para essas pessoas, além da garantia de vários suportes necessários como materiais, estruturais e humanos. Assim como todos os cidadãos, como plenos direitos e deveres.
Deficiências: intelectual, visual, auditiva, física, de altas habilidades ou superdotação.... cada uma possui suas especificidades e cada indivíduo é um ser único e deve ser tratado com respeito, educação e igualdade. Esta é a verdadeira inclusão...
Acessibilidade, sensibilização e a cooperação são aspectos relevantes e que devem ser considerados em relação às deficiências.
REFERÊNCIA:
CAPELLINI, V. L. M. F.; ZANATA, E. M.; MARANHE, E. A. Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. In: MORAES, M. S. S.; MARANHE, E. A. INTRODUÇÃO CONCEITUAL PARA EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE E CIDADANIA. Bauru: Coleção UNESP-SECAD-UAB: Diversidade e Cidadania. 2009. Vol.4, unidade 4. p. 91-112.
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